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Banda de Pífanos Fulô da Chica Boa encanta público da 8ª Bienal de Alagoas

Banda de Pífanos Fulô da Chica Boa encanta público da 8ª Bienal de Alagoas

Se o sol já estava prestes a se despedir, não seria de adeus que à tarde deste domingo (01) seria feita, no hall de entrada da 8ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Os últimos raios de sol, ao contrário de deitar-se, se levantaram em forma de música, contagiando o público visitante. A banda de pífanos Fulô da Chica Boa, comandada pelo mestre Washington Anunciação, abrilhantou a programação, fazendo um verdadeiro desfile de cultura genuinamente popular pelo pavilhão do Centro de Convenções, em Maceió.

Ao tilintar das primeiras notas do pife, olhos começaram a procurar de onde vinha tanta alegria. Pernas começaram a confundir o passeio com o passo do xote, do xaxado, ou seria do baião? O público, se alagoano, se nordestino, se visitante, já não se sabia. Todos num mesmo encantamento.

Se a zabumba marcava o passo dos pés, os agudos das melodias afinavam os sorrisos – sorrisos não de lábios, apenas, mas sorrisos de olhos. Olhos de gente que já marcou muitos passos em tantos bailes da vida, e também de gente pequena que mal aprendeu a dar os primeiros passos desta existência, mas que já sabe sentir com seus corações a emoção bailante da música.

A banda, que levou o público por um tour ao longo dos corredores do pavilhão da Bienal, agregou pequenos e grandes na sala Pitanga, nas dependências do Centro de Convenções para mais música. Música e poesia popular para um público tão diverso quanto o sem fim de notas que o mestre Washington Anunciação é capaz de executar à flauta de pífano em compassos que disputam com o próprio tempo para caber em tão frágeis segundos que se multiplicaram em horas de grande musicalidade nordestina.

O encontro finalizou com a participação do palestrante e pesquisador alagoano, de Coruripe, José Lessa Gama, que destacou a importância do pífano como expoente da cultura popular nordestina. “É inegável que o pífano sempre teve ligação com a polca, a valsa, o xaxado, o baião, mesmo antes de Luiz Gonzaga despontar e difundir os ritmos nordestinos Brasil afora”, destacou o pesquisador.

“É desta terra das Alagoas, como do povoado de Olho D’água do Chicão, ou de Arapiraca, que surgiram Chau do Pife, Hermeto Pascoal e tantos outros artistas que se inspiraram nos sons que brotam desta terra, uma terra de nobreza para a cultura nordestina, a terra das Alagoas”, enfatizou.

Encerrando a noite, mais pífano com a Flor da Chica Boa. Ali, ouviu-se música. Música pura, feita de emoções e quase que da própria terra, o barro seco e árido, por onde caminha, sempre esperançoso, o povo nordestino.

Márcio Cavalcante – jornalista
Fotos: Thiago Prado

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