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Bienal chega ao fim com números impressionantes e sentimento de saudade

Bienal chega ao fim com números impressionantes e sentimento de saudade

Mais de 150 mil visitantes. Cem mil livros comercializados. Mais de 30 mil estudantes de escolas estaduais, particulares e municipais. Mais de 250 atividades artísticas e culturais. Setenta grupos somente da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) que realizaram 91 sessões e outras 30 atividades de grupos externos à instituição. Esses são apenas alguns dos impressionantes números da 8ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, que chegou ao fim no último domingo (8) com uma certeza: o evento já deixa saudades.

E nada melhor do que ouvir quem passou pelos corredores do Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, no Jaraguá, externando seu sentimento pela Bienal alagoana. “Pra mim, é um grande acontecimento em um lugar extremamente carente de livros e acho que o mais importante é o movimento que ela desperta nas pessoas. Espero que nunca pare e sempre encontre formas de continuar”, disse o cantor Júnior Almeida, que visitou a Bienal em três dos dez dias de evento.

Já o produtor cultural Fernando Magalhães visitou a Bienal por cinco dias e participou de mostras de cinema, acompanhou o Chá de Memória com historiador Sávio de Almeida e, é claro, comprou livros. Fernando falou do que ficou marcado para ele nesta edição. “Eu vim um dia à tarde e tinha muita criança mexendo em livro. Pra mim, foi uma das coisas mais legais de vi aqui. O amor pela literatura tem que ser trabalhado e incentivado e acho que a Bienal faz isso muito bem”, disse o produtor de 29 anos, ao recordar que, quando criança, ainda não havia Bienal do Livro em Alagoas.

A Ana Carolina Medeiros só conseguiu ir com o filho ao último dia, mas expressou o que o evento representa para ela. “Acho fundamental o incentivo à leitura, super importante para melhorar o nível dos estudantes e cultural do nosso país. Então justamente vim incentivar meu filho, para que tenha a atitude de procurar um livro, de ver as figuras, que se interesse pela literatura, porque ela só faz bem para o ser humano”.

Rádio marca Bienal do Livro de Alagoas

Outro projeto que marca a realização da 8ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é a Rádio Bienal, que teve programação variada 24 horas por dia e blocos ao vivo das 17h às 20h, comandados pelos jornalistas Carlos Madeiro e Lenilda Luna.

Para Madeiro, a participação na Rádio Bienal ficará marcada em sua carreira. “É uma rádio que teve um componente muito legal por ser numa feira de livros, um evento mais intelectual, que eu adoro, mas conseguimos reunir num só espaço o que há de mais legal em Alagoas. Intelectuais, artistas locais, escritores. Todo mundo passou por aqui e teve acesso, foi muito bacana”, salientou.
Na opinião de Lenilda, a Rádio Bienal conseguiu abarcar todo o universo que representa o evento. “Dos três homenageados da Bienal, entrevistamos dois: Dirceu Lindoso e Sávio de Almeida. Foi uma honra, pois eles são dois intelectuais realmente renomados e com produção importante para a construção da identidade alagoana. Fora isso, conseguimos desde o escritor iniciante até os mais experientes. Do Rei do Suspiro ao intelectual mais famoso, renomado nacionalmente. Foi muito bom, uma experiência incrível”, destacou.

Gestores comemoram e destacam importância da Bienal

A coordenadora de Comunicação da Bienal, Lídia Ramires, comemorou e agradeceu à equipe pelo empenho em levar todas as informações possíveis à sociedade e aos meios de comunicação, a quem também destacou a importância durante o evento. “Disponibilizamos textos, fotos, vídeos e postagens nas redes sociais que geraram pautas para toda a imprensa. Portanto, deixo o meu especial agradecimento a todos que encamparam e defenderam, em cada redação, a Bienal como o maior evento cultural deste Estado. A Bienal é promovida pela Ufal, único caso em todo o país de Universidade organizadora, pela compreensão de que a leitura, o ensino, a cultura e o pensamento crítico são decisivos para uma Alagoas mais justa e igualitária”, enfatizou Lídia.

O produtor cultural e também responsável pela coordenação da Bienal do Livro de Alagoas, Samy Dantas, destacou os aspectos culturais e acadêmicos da programação, construída para agregar o público infantil, infanto-juvenil e adultos, além da satisfação por participar da história da Bienal. “É um evento complicado de se produzir por envolver uma equipe muito grande e ter uma programação intensa. Mas é muito satisfatório e gratificante quando a gente vê que tudo conseguiu caminhar bem”, disse.

O diretor da Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), Osvaldo Maciel, expressou felicidade ao constatar que missão foi cumprida. “Decidimos que, apesar dessa grave crise, a Ufal continuaria apostando, investindo e realizando a Bienal. É gratificante saber que não só a gente conseguiu realizar o evento, mas conseguiu realizá-lo de maneira melhorada, inovadora e trazendo os frutos para além da Bienal, que vão ficar para a sociedade alagoana e para a universidade, como a Rádio”.

A reitora Valéria Correia agradeceu o apoio de todos os parceiros que contribuíram para a realização da Bienal e enfatizou a importância do espírito colaborativo que se fez presente no evento.“Eu digo que foi a colaboração e o envolvimento da nossa equipe de produção, nossa assessoria de comunicação, a própria Edufal e, junto a isso, o envolvimento dos estudantes colaborando e aprendendo. Penso que essa força, a participação dos nossos equipamentos culturais e a homenagem a três intelectuais alagoanos que contribuíram para a história do Estado com um simbolismo de quem pensa a nossa formação sócio histórica e que é pouco contada. Essas três homenagens revelam o sentido da Bienal”, salientou Valéria.

Para a reitora, o evento chega ao fim com um saldo bastante positivo. “Em tempos difíceis a gente tem de ter força, criatividade, colaboração e resistência. A Bienal é um símbolo disso. De resistência, especialmente, da Universidade no cenário nacional; em meio à adversidade, a crise econômica, nós resistimos com a realização da Bienal”, disse Valéria Correia.

Em clima de descontração, a reitora disse que se surpreendeu com a disputa dos visitantes para tirar fotos em um dos pontos mais concorridos do evento: o totem da  Bienal e o chapéu de guerreiro, que foram produzidos por um grupo de pesquisa da Ufal e será levado para o prédio da Reitoria, situado no Campus A.C. Simões, em Maceió.

“Eles fizeram com toda delicadeza e foi contagiante. Acho que as pessoas se sentem um pouco Bienal, com identidade e pertencimento. A alegria de saber que a Universidade toca os corações das pessoas, pois somos todos Ufal. Esse carinho da sociedade alagoana com a Bienal é um carinho com a Ufal. A Bienal extrapola os muros da Universidade e é toda da sociedade alagoana”, finalizou Valéria Correia.

Deriky Pereira e Natália Oliveira – jornalistas

Renner Boldrino, Thiago Prado e Manuel Henrique – Fotos

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