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Estande da Bienal reúne autores para valorizar literatura de cordel em Alagoas

Estande da Bienal reúne autores para valorizar literatura de cordel em Alagoas

Nos mais de 70 estandes distribuídos onde ocorre o maior evento literário de Alagoas, é impossível não notar uma grande movimentação em torno do espaço destinado à literatura de cordel. Jorge Calheiros, que há 53 anos se dedica aos versos ali impressos e sempre esteve presente em todas as edições da Bienal, desta vez fez um pouco diferente, convidou amigos escritores da região para que todos pudessem dividir o mesmo local, e assim, expor seus trabalhos dedicados aos versos do cordel.

No espaço, além dos livretos expostos à venda, Jorge é acompanhado de sua equipe e alguns dos cordelistas convidados, inclusive, é possível se deparar com um dos momentos mais aguardados pelo público: o das declamações. O pequeno local se transforma numa espécie de palco, onde todos podem ouvir os repentes que narram as sagas de histórias inusitadas à rotineiras, todas acompanhadas de um leve humor que fisga a atenção do público em meio à feira.

Um dos fatos mais curiosos é que nas declamações, Jorge Calheiros não precisa ler seus contos, porque dos 226 títulos lançados, possui 96 decorados. “Não tem coisa melhor que você ser um cordelista, acordar com a mulher com a cara emburrada, e poder fazer um trecho de cordel. Ela acha engraçado e ri, assim, o dia já começa bem”, brinca o autor.

Apesar de todo o bom humor, o cordelista relembra as dificuldades do início. “Meu pai não tinha dinheiro para me manter na escola, aprendi a ler e escrever riscando o chão do quintal de casa com carvão. O primeiro contato com livro foi um cordel, assim surgiu esta paixão que no começo eu tinha vergonha de mostrar, mas depois percebi que daria certo, e hoje é minha vida”, conta.

Lembrando que o evento só vai até este domingo (8), mas caso o público deseje conhecer um pouco mais deste trabalho basta ir à Academia Alagoana de Literatura de Cordel, que teve sua fundação oficializada durante esta Bienal. A sede fica localizada na Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, na praça Dom Pedro II e é aberta ao público.

Texto e foto: João Paulo Rocha – Estudante de Relações Públicas

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